caju com manga

O pão nosso de cada dia…

Eu vejo uma galera resgatando tweets de 8 anos atrás de pessoas que agora são famosas pra provar o quanto eram machistas, homofóbicas, misógenas e imbecis. Tenho a impressão de que os pesquisadores de redes sociais são gente muito linear, que vive num grau de evolução muito avançado, bem difícil de se atingir por nós, meros mortais mutantes como a metaforfose ambulante – descritos nas palavras de um sábio.

Não, eu não concordo com nenhum tipo de segregação, que fique claro. E apesar de ter menos de 40 tacos, me lembro claramente de uma época em que você chegava numa casa, há mais ou menos duas décadas, numa casa dessas amarelinha clara, e ser recebida com aroma de pão assando no forno – num tempo em que comer pão, ainda não era pecado de morte.

Daí, meia hora de papo depois, os donos da casa, um sobrado, me lembro bem, te chamavam para a copa, que nada tinha a ver com a FIFA – muito menos com um tipo de perna de porco – e lá te esperavam lindamente 3 pães – que é o que rendia um kilo de farinha de trigo bem refinada, 2 ou 3 ovos brancos, óleo de soja Liza , sal, açúcar União e água quente. Café Pilão já tava de muito bom tamanho – coado no filtro Melita – o de pano, que estava obsoleto, só voltaria muitos e muitos anos depois, “gourmetizado”, valendo 45 dilmas (foi golpe!) o coador individual na Padoca do Maní, em Pinheiros. E margarina. Potão de 500g da Qually era sinal de status numa casa. A manteiga, voltaria a ser boa em alguns anos, junto com os ovos orgânicos e a batata doce. Manteiga Aviação tinha só em algumas casas, feito sinal de rebeldia ao sistema – era como uma rashtag dessas que de tempos em tempos fica de moda #VouMeEntupirDeColesterolSim- e esse grito, na nossa família, sempre saiu primeiro da casa da tia Cleusa. Mas isso fica pra outro post.

O mais maravilhoso de tudo isso é que a gente pôde rever todos esses conceitos. A indústria dos ovos e da manteiga conseguiu pagar pesquisas mais caras que as da margarina e do trigo e provou que aqueles são agora os mocinhos e estes, os vilões – melhor, assim a gente parou de comer esse tipo de plástico logo pela manhã. O pão, agora, só pros “neo rebeldes”: esse carboidrato deixa a gente mais gorda e cansada, eu sei, mais ainda resisto – ou seria, não resisto?

Ontem, num café com gente conhecida há 18 anos, foi momento de rever as certezas absolutas do passado. E que alívio poder se permitir mudar de opinião, de hábitos, de “pré”-conceitos.

Com certeza, se eu tivesse escrito aquilo que acreditava há 20 anos, hoje seria apedrejada em praça pública. Que sorte a minha poder ter mudado, revisto e mudado de novo tantas vezes quanto foi possível fazê-lo até chegar em quem sou hoje. E quantas vezes ainda mudarei? Escrevo e me arrependo toda hora – sorte a minha que o whatsapp deixa a gente apagar antes de que o interlocutor veja a mensagem, né?!

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