caju com manga · Papo de Véia

vulnerável, eu?

abraço

Vivo apregoando aos quatro ventos a beleza da vulnerabilidade. Balela. Odeio me sentir vulnerável. É mais gostoso que todo mundo te ache forte, valente. Bem melhor ajudar que ser ajudad@, já dizia a Dona Dora. Mas não, gente, é mentira. Ninguém é forte todo dia. Nem se aceita todo dia. Nem se gosta todo dia. Nem tá feliz todo dia. Há momentos em que a garganta dá nó. Daí, a saliva passa grossa, aos goles. Os ombros carregam pedras, das grandonas, parrudas. Há um blend de estação de trem, pneus queimados e aterro sanitário no ar, só que invisível, que afoga a gente. O pé gela. O coração até que bate depressa, mas tudo, tudo mesmo, passa beeeemm devagarinho. A gente demora 3 horas pra tirar uma caneta do lugar e pôr no outro.

Mostrar isso pros outros é tão difícil. Falar pra alguém o quanto a gente chega a se sentir fraude, o quanto a gente tá se sentindo mal e incapaz, chorar copiosamente é se expor um tanto, que não cabe em palavras, só caberia num ombro. Sabe, ombro amigo? Gente que não julga, boa ouvinte, que não faça perguntas, somente esteja. Esteja aqui, ó, presente. Sem interesses, meu velho, porque nesse dia, você não dá nada pro outro, só espalha a sua dor. Ahhh, e café. Café feito na hora. Se a noite for fria, pode ser chá, também, desses que se mistura camomila, hortelã, cardamomo e água quentinha.

Só que tem um problema. Só um. Nem sempre, o tempo de quem está mal é o tempo da pessoa do colo, do ombro. Porque todo mundo tem suas próprias dores. E amizade, meu filho, escute bem, amizade é coisa já escassa, démodé… Quem é que tem tempo (e saco, oras bolas, rs) de ouvir um choramingo qualquer sem te chamar de dramátic@, imbecil, infantil?! Ninguém, eu sei, ninguém.

Vá, trabalhe mais. O suficiente pra pagar um bom terapeuta, ele é seu amigo agora, cara. Que a velha e boa amizade, não passa de uma rede social brega, que ninguém quer fazer parte – eu ouvi Orkut, amém? É preciso que seus diplomas, carros e status ornem com essa vida leve, viajada e descolada das redes sociais – leia-se amizades – contemporâneas. Se não, cê não faz parte dos 5. Tá fo(d)ra.


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