Papo de Estilo

carta de amor à mulher medieval que ainda vive em mim”

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Eu preparei um workshop. Um workshop de estilo, digamos a verdade. Mas não pretendo ensinar ninguém a se vestir, já adianto. Pretendo mesmo é incitar a busca por quem a gente é, por dentro, e traduzir isso em linhas e formas, cores e texturas, estampas, recortes, tecidos e acabamentos… – que é pra gente se vestir da gente mesma, sabe?

E no preparar desse encontro de mulheres descubro algo mais… Coisas deliciosas sobre mim mesma que estiveram (sempre) na minha cabeça – pena que a gente não segue (todas as vezes) o próprio instinto. A gente já sabe quem a gente é – por dentro. Basta se ouvir – dizem. Mas, querida, como é que a gente se ouve com tanto ruído a nossa volta? Como fazer pra que o que outras pessoas acham sobre elas mesmas não coloque a gente numa gaiola de pode/não pode?

Então, pra essa mulher, presa a mim mesma, escrevo um manifesto, uma carta de amor. Ela é uma mulher medieval, não se engane, e se sente como tal. Mas ainda está aqui, convive e interfere na feminista radical contemporânea:

Minha querida, que bom entrar em contato contigo… É uma pena que ainda esteja amarrada aos contratos que se auto-impôs e não enxergue todas as possibilidades que têm. A solitude lhe alcança, eu sei, mas isso não é ruim: conhecer-se faz parte de um lindo processo de evolução.

Agora, peço que pare. Não é necessário que se esconda mais. Te vejo e te admiro. Te acolho e te abraço. Beijo a tua face rosada e acaricio os teus cabelos esvoaçantes. Trago as chaves das tuas algemas e te liberto de qualquer dever imposto por quem quer que seja – ainda que o tenha sido por ti mesma. Você está livre para seguir o teu propósito, pra trilhar teu próprio caminho. Você já não pertence a nenhum lugar nem a qualquer pessoa – faz parte do todo, é uma gota do divino, um raio de luz que se ilumina a si mesma.

O teu propósito é voar pelo mundo e tocar as pessoas que queiram ser tocadas por você. Tua palavra é o amor. Teu sorriso é aconchego. Teu abraço é acolhida. A tua comida é cura. Teu olhar, paz.

Tudo, tudo o que viveu foi para aprendizado, eu sei (mesmo). Mas agora, querida, deves seguir em frente – deves evoluir e amar a todos os seres que cruzarem teu caminho.

Leve consigo o teu gargalhar e a tua força. Liberdade e abraço. Teu riso e teu choro. Leve o teu ouvir e o teu enxergar. São eles o combustível que faz tocar a alma humana.

Te vejo e te admiro. Te acolho e te abraço. Sinto muito, te perdoo, te amo…

… sou grata,

Kelen”

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7 comentários em “carta de amor à mulher medieval que ainda vive em mim”

  1. Quanta libertação e sabedoria há nessa consciência no seu ontem, aqui e agora…uma honra fazer parte desse processo…gratidão!! Creio q sua essência medieval está muito feliz, leve e livre!!! E eu também…💓💟

    Curtido por 1 pessoa

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