caju com manga

Simples

Eu tô aqui. Você, dorme ao meu lado. Sinto a sua perna tocar a minha e a tua respiração rente ao meu antebraço. Luna, aninhada ao meu pé. Godoh, no teu. A música que soa é o encontro do chorro de água que desce do cano escondido pela pedra com a poça, movida pela mini bomba que a faz girar, dia e noite, na fonte dos gatos saciarem a sede.

O horário, dizem, já é de verão. A estação, é primavera. Mas eu vejo mesmo é cara de inverno: céu cinza contrastando com as folhas verdes da nossa árvore de estimação e o telhado avermelhado do vizinho, bem no rumo da nossa varanda, fazendo uma combinação complementar, aqui na cartela de cores do nosso inverno paulistano fora de época.

Hoje, o teu mal estar nos fez parar em casa, entre bebidas quentes e cobertores xadrez, coisa que há tempos não acontecia. Cuidar-te me faz parar. E parar, Piolha, me faz feliz.

Quando foi a última vez que eu te fiz um caldo de verduras na minha panela de barro mesmo? Que a casa ficou com aroma de cura, entre mandioquinha, abobrinha, louro e ervas aromáticas? Que a gente parou pra fazer nada? Sim, é verdade, teve aquele pulo na farmácia, pra buscar soro com gosto de Tang e sabonete em barra Dove. Outro pulo na Padoca buscar o pão crocante que você ama – há esperança de que você melhore até o final do dia. Mas foi só: sem piquenique, sem churrasco na Joy, sem passeio pela Paulista, sem exposições, sem ruídos nem barulhos….. Só a gente e a nossa verdade.

Porque, né, cada família tem a sua. Falo das verdades. E a nossa, Piolha – agora falo da família- tem verdades dolorosas. Tem muitos encontros. E vários desencontros. Tem bastante trabalho. Algumas crises. Muito afeto. Bastante cafuné. Um pouco de desordem. Amor pra caramba. E vida. Claro, vida simples – trabalho – casa, escola – casa.

E você, Piolha, não me entende, mas é isso que eu amo, ser simples. Nada rebuscado. Nada enfeitado. Sem florear. Basta, já! Esqueça as palavras bonitas, os adornos exagerados, os detalhes rebuscados. Chega de mentiras piedosas. Que fique o autêntico, o genuíno. Só a essência. Que a gente aproveite os dias nublados regados a caldos quentes e cafuné como se fossem os últimos. Que a gente aproveite os dias simples da nossa vidinha, como se fossem únicos.

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