Papo Cabeça

Alegradores de vidas

 

bikore

Tem gente que passa pela vida da gente e vai embora. Tem gente que mesmo depois de ir embora, fica pra sempre impressa no coração, feito cheiro de mexerica grudado nas mãos.

É claro que todo mundo é importante. A gente aprende, fica feliz, caminha ombro a ombro com um bocado de pessoas: cada um tem a sua relevância na nossa caminhada. Mas, no bolo todo, quem faz a diferença nesse mundão de gente que atravessa a nossa história é quem embanana tanto a nossa vida a ponto de não se saber se é a gente que cruzou a vida alheia ou se a nossa vida é que foi invadida por um colonizador de almas.

Um dia eu acordei e percebi que morreria. Que todo mundo morreria. E que bom que a gente sabe disso: morrer é uma das fases do ciclo da vida, né?! Me explico: comecei a pensar que, quando eu fosse  embora (mas eu não vou tão logo não, tá?!), que marcas deixaria na vida das pessoas que comigo convivem?

Foi aí, nesse exato momento, que comecei a me lembrar de todas as pessoas que já tinham passado por mim e partido – ido pra outro canto: trabalhadoras, honestas, rígidas, coerentes, discretas, simpáticas, educadas, elegantes, conservadoras e gentis.

E quem? Quem é que tinha ido embora (ou não) mas que, por ironia do destino, continuava ali, perfumando a minha existência e alegrando os meus dias nublados?  Os loucos! Só os loucos pela vida. Sim, de quem eu lembrava, lá na minha solidão, era de quem tinha me feito sorrir e me inspirado a não temer o ridículo:  ainda podia ouvir os palavrões da tia Cleusa e gargalhar com os inventados pelo tio Zé, podia rever a dupla Nenê e Lito cantando, com bafo de salada de cebola, o LP inteirinho do Chitãozinho e Xororó nos churrascos da casa da vó Lila; podia rir até doer a barriga, com a Vera,no meio da Queirós Filho, grávida da Marjorye, jogando fubeca;  “re-ouvir” as piadas sem graça do Dr. Fábio na volta do almoço na XV de Novembro; assistir as palhaçadas da Silvia e Regina no quarto da Célia lá do Jd. São Carlos… Sim, eu podia até cantar as letras das músicas bregas do Henrique e ainda me lembrava os passos da lambada que dançava escondido na casa da tia Elza….

E, ó, a vida são dois dias, a gente fica tão preocupado em viver a granel, em ser bom em tudo, em ficar bem na foto, que esquece de ser feliz e crochetar felicidade na existência dos outros.

Hoje, pensando na influência alheia pra construção da minha identidade, no quanto anônimos felizes me incentivaram a seguir andando e em todas as pessoas que alegraram a minha existência com uma gargalhada, um sorriso ou uma piada, olho pro lado e peço desculpas pra todo mundo que eu não consegui contagiar com o vírus da alegria.

Prometo, daqui pra frente, soltar os fardos dos ombros e levar uma mochila bem leve, cheinha de risadas barulhentas!

Aos “alegradores” de vidas e “fazedores” de gente feliz, obrigada! Tchin tchin!!

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2 comentários em “Alegradores de vidas

  1. Amei, como sempre.Apoio totalmente sua iniciativa, viva a vida, sorria ,seja feliz, diminua o peso da sua mochila, porque a vida realmente e dois dias, passa tão rápido…e o que nós deixa feliz são as boas risadas…E o que posso dizer, não o que se desculpar lembro muito bem das nossas “artes”que aprontavamos… e bora ser feliz conte comigo…beijos

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