Papo de Véia

Hora certa

Tá difícil de aguentar até segunda pra escrever bonitinho no blog, colocar foto, reler o texto 48 vezes e agendar o horário da postagem. Eu sei, sou péssima pra esperar a hora certa de fazer as coisas. Mas quem inventou a hora certa, mesmo?

Agora, por exemplo, eu deveria estar dormindo: levanto às 5:30h. Mas é assim: falo as coisas na lata, antes da hora. Coloco o sapato velho na caixa e vou com o novo no pé, antes de sair da loja. Não adianta, sou das que tiram um “teco” do pão de dentro do pacote e vão comendo de pedacinho em pedacinho, da padaria até acabar, no caminho mesmo, óbvio.

Mas, não se iluda, não me orgulho disso. Eu acho bonito mesmo é o povo que faz planilha antes de comprar uma geladeira. Que viaja com tudo pago. Amo quem junta o dinheiro e paga a vista, com desconto. Gosto das pessoas ponderadas, econômicas, que pensam pelo menos uma noite e um dia antes da despesa. Certa vez, soube que o marido de uma ex-amiga juntou dinheiro por 4 anos, antes de entrar na faculdade. E tenho uma parente que pagou 20 anos de hipoteca em 4. Admiração, essa é a palavra.

Mas não. Eu não. Decidi ir pra Espanha assim, na cozinha da tia Val, num domingo gelado de Santo André. Um dia, mudei de emprego,  pedindo demissão sem ter outro em vista. Saí hoje. Comecei no outro, amanhã. Decidi adotar a Malena numa tarde de outono. Cheguei em casa a “noitinha” com ela debaixo do braço.

E a vida foi acontecendo desse jeito, passo a passo, nada planejado, mas tudo devidamente sonhado. Porque não há que se confundir falta de planejamento com falta de sonhos. Aqui, debaixo dessa capa”desmanzelada”, existe um coração sonhador.   Sim, porque desde os 9 eu sabia que ia morar em Navarra. Tá, não sabia que esse era o nome, mas já tinha visto os predinhos de tijolinhos a vista, a névoa das estradas curvas, os campos de flores miúdas amarelas, os castelos medievais e o caminho, ahhhh, o Caminho.

Eu não sei se o nome é fé, semente plantada na infância pela vó ou se de fato, é tudo coincidência. Só sei que é batata, eu penso, acontece.

Ok, ok, também não acreditava. Eu  duvidei. E ainda questiono. Não sei o que é, não sei o motivo, só sei que o tal do desejo ardente, aquele que foi o impulsor deste blog, faz com que a montanha venha até mim, caminhando. Não, caminhando não,  ela cai no meu colo mesmo, sempre que eu penso com força.

Toda essa ladainha é pra contar que ontem, assim, do nada, aconteceu novamente. Sem planejamento, sem possibilidades, sem meritocracia, sem esforço. Pra não dizer que não fiz nadica de nada, no dia 13 deste mês, eu escrevi o que queria. Mas escrevi em tempo presente, tipo: “Hoje sou feliz porque faço isso, isso e aquilo…”. Nove dias depois, aconteceu. De novo. Era sonho. Agora, é real e veio na hora certa. Obrigada, meu Deus.

 

 

 

 

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