Papo Cabeça

A reforma

primavera 2

 

 

Uma reforma mal planejada é o suficiente pra colocar tudo no lugar. Depois do caos, da sujeira, dos imprevistos, dos estragos e desperdícios, do prazo quebrado, do barulho, do aperto, do orçamento ultrapassado, a gente vê o que é real, o que está por dentro, beeeem lá dentro, sabe como é?

 A integridade de uma parede na sua essência mostra a dureza da realidade: sem maquiagem, sem tinta, sem adornos, sem adjetivos nem enfeites: é o que é, diria um velho conhecido.

E a vital importância de se ver a parede nua equivale aos olhos críticos de quem se vê no espelho mágico: são as cicatrizes que a gente imprime na carne e na alma as mais importantes pra se pular de fase.

 É nesse “armagedon” que é possível clarear as idéias: valorizar o planejamento, as pessoas honestas, as coisas simples perdidas… Dá saudades daquele sofá encardidinho mesmo, era tão confortável… a gente fica querendo voltar atrás, ao dia anterior a reforma. Refazer tudo, de cancelar o pedreiro a voltar às delícias da estabilidade – a fleumática pede cama nessa hora.

Mas não dá. Uma vez dada a primeira marretada, nada volta a ser como antes.     Ao dar o primeiro passo, nunca mais se estará no mesmo lugar… Tudo muda e até a gente muda. Mesmo que se queira, mesmo que se volte, mesmo que se reboque a parede, nada voltará a ser igual…. não há remédio, desista. A única alternativa é caminhar, é fazer, é solucionar. E já foi dito que o caminho se faz ao caminhar, é nele que a gente constrói a vida, a carreira, os amigos, a família e os sonhos…

Em São Paulo faz inverno, mas aqui na alma, “tamo” de primavera. E vida que a gente vive dentro, vive fora. Tá, explico: depois de um longo inverno, período de ficar quietinha, em silêncio, se encontrando, uma folhinha verde aparece assim, do nada, e brota: nasce uma ideia!

E assim, dia após dia, a gente liga uma ideia na outra, um papo com alguém, um curso, um site, uma música, um grupo, um café, um chá do amor e plim: uma explosão de flores e cores, “insights”, parcerias e abraços que levam justamente pra onde se deseja, isso mesmo, pro que desejou quando a gente ainda estava naquele frio glacial  – e tudo parecia impossível.

Mesmo que tudo desenhe  um caos, é no barulho das marretadas que a gente faz  acontecer. É o grito de guerra que dá início a uma nova batalha, é o canto da passarinhada que faz a primavera florescer….

 

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