Papo de Véia

Meu primeiro amor

outono

Talvez, a única habilidade que eu tenha desenvolvido, na vida, tenha sido o sexto sentido.

Foi graças a ele que pude me livrar de umas boas enrascadas da vida.

Eu tinha uns 9 anos e gostava do Alan. Era o menino mais bonito da igreja, a cara do Elvis Presley nos tempos de jovem. E era um dos mais “riquinhos” também. Bem vestido, enquanto a gente voltava da escolinha a pé, o pai dele o buscava com seu Spazio bege, muito chique. Bom, melhor assim: eu preferia voltar caminhando do que com o fusca da vó ou o carro velho do pai, que nos deixava com a roupa pura gasolina queimada.

Eu morria pelo Alan. Um dia, resolvi escrever-lhe uma carta, declarando todo o meu amor infantil. Ele não a leu, fez cara de nojo e a rasgou, sem abrir e sentir o aroma do perfume da Aretta, que eu ganhei da tia Cleusa.
Dois anos depois, teve o aniversário da minha prima. E ele estava lá, era o rei da festa. Todo articulado, inteligente, comunicativo e lindo, nós, as meninas, embasbacadas por aquele glamour todo.

Começou a brincadeira da salada de frutas. Ele, o macho alfa, decidia quem levaria o prêmio (!!). Foi a primeira vez que que eu ouvi minha intuição: não participa, Kelen, não participa, me dizia a voz. Não participei. No dia seguinte, o Bima dedurou todo mundo e senti um alívio danado por ter ouvido a vozinha que me acompanharia para sempre!! Me livrei do castigo e ainda me senti empoderada (muito antes dessa palavra virar moda).

A parti daí, todas as vezes que eu a ouvi, essa vozinha mágica me ajudou a conseguir os empregos que eu queria, visitar os lugares dos meus sonhos, conhecer as pessoas que eu precisava e, como não podia deixar de ser, me livrou de vários acidentes e problemas.

O fato é que todo mundo tem essa voz aí dentro mas nem sempre pára pra prestar atenção no que ela está falando. Porque ela cochicha bem baixinho, é preciso ficar em silêncio pra conseguir escutá-la. A gente sempre acha mais fácil ouvir aos demais, ou por terem mais experiência ou por comodismo mesmo.

Há algum tempo, perdi a conexão com essa voz. São tantas as distrações, tanta gente esperta por perto, que por mais que eu parava pra tentar ouvi-la (leia-se ouvir-me), os ruídos se sobressaíam.

No último sábado, depois de anos, desliguei todos os aparelhos ruidosos e voltei a conectar-me comigo mesma. Essa voz, que talvez seja Divina, voltou a sussurrar aos meus ouvidos e acabou por mostrar-me o caminho, outra vez.

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7 comentários em “Meu primeiro amor

  1. Mais uma história que eu amo e volto no passado lembro do acontecido e o fofoqueiro do Bima kkkk já passou mas é gostoso relembrar ,beijos minha querida te amamos.

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  2. nossa voltei no tempo agora, o Allan era o menino mais cobiçado naquela época,era lindo, e como esquecer desta festa era
    minha festa bons tempo, a kelen foi a unica que escapou do castigo, ja era esperta.desde pequena kkkkk,adorei kelen bjs….

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  3. Gente eu lembro dessa festa,lembro do castigo mas como a kellen… também nao participei da brincadeira.Escapei do castigo kkkkkkkkkk

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  4. Hum…. Que nostálgico…. Amei! Como sempre seus textos mexendo com nossos sentimentos e provocando uma sensação muito agradável! ❤️😘😘

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